{"id":1050,"date":"2018-08-13T19:43:54","date_gmt":"2018-08-13T19:43:54","guid":{"rendered":"http:\/\/marialaet.com\/?p=1050"},"modified":"2018-08-13T19:45:04","modified_gmt":"2018-08-13T19:45:04","slug":"a-folha-folheada-pelo-tempo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/marialaet.com\/en\/textos\/a-folha-folheada-pelo-tempo\/","title":{"rendered":"A folha folheada pelo tempo"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"http:\/\/marialaet.com\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1050\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"PT\">PT<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre o nascer e o morrer, experimentamos as muitas, tantas quanto poss\u00edveis, varia\u00e7\u00f5es de tempo a compassar nossas passagens, cujas dura\u00e7\u00f5es se estendem ou encurtam mediante os n\u00edveis de afeto e de ang\u00fastia, de aten\u00e7\u00e3o, de intelig\u00eancia ou de curiosidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um tempo que sobrevive ao curso de todas as nossas vidas, e h\u00e1 tempos que se apagam de nossas lembran\u00e7as ou mesmo da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria. Entre o passado, j\u00e1 apagado, e o presente, nem sempre sentido, esconde-se um tempo que est\u00e1 permanentemente a repetir-se, que \u00e9 particular, pois superior a todas as formas de vida, sem fazer distin\u00e7\u00e3o: um tempo que ora parece morto, ora torna-se a raz\u00e3o maior de nossa insist\u00eancia em respirar, em aprender t\u00e3o-somente para voltar a errar e, logo, tornar a reaprender, num ciclo maior que os anos, que os s\u00e9culos, que os mil\u00eanios&#8230;<\/p>\n<p>Esta mostra nasce justamente da aten\u00e7\u00e3o dada a um tempo que n\u00e3o \u00e9 o meu, mas que comigo foi compartido pela artista em seu atelier cor de pele, envolto numa atmosfera de conforto, long\u00ednqua intimidade, languidez e perman\u00eancia. Foi naquela tarde &#8211; nem t\u00e3o breve, nem t\u00e3o longa, mas longa o suficiente para arrastar-se at\u00e9 o presente -, que nasceu esse projeto de imers\u00e3o conjunta num mundo que, uma vez p\u00fablico, torna-se outra vez privado. \u00c9 nesse tempo\/ciclo que situa-se a obra de Maria Laet &#8211; um tempo que \u00e9 sentido, compartilhado, que promove um eterno retorno \u00e0 pr\u00f3pria artista, mas n\u00e3o sem antes passar pela natureza, pelos homens, por todxs n\u00f3s.<\/p>\n<p>Tal qual a aventura humana, a arte tamb\u00e9m pode ser vista como um grande jogo; foi assim, nesta toada, que procedemos, a artista e eu, ao passatempo de unir os pontos, alinhavar as partes para alcan\u00e7ar um labirinto maior, uma cosmogonia de elementos vis\u00edveis, aud\u00edveis, t\u00e1teis, sensoriais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acaso n\u00e3o conhecesse Maria, era bem poss\u00edvel acreditar tratar-se de uma artista oriental &#8211; japonesa, quem sabe -, que responde a uma ancestralidade e a um tempo que n\u00e3o parecem ser os mesmos nossos. H\u00e1 algo de intang\u00edvel em sua a\u00e7\u00e3o silenciosa, fantasm\u00e1tica, lit\u00fargica, eu diria &#8211; uma presen\u00e7a e um protagonismo que nos transp\u00f5em a outro plano, sen\u00e3o austero, milenar, esot\u00e9rico, m\u00edstico.<\/p>\n<p>Recantos, dobras e dobraduras, alinhavos, brancos, cinzas e negros, sopros, metais, pap\u00e9is e mais geometrias, curvas e retas, p\u00f3, areia, agulha, pele e linha, num ritual que \u00e9 pag\u00e3o porque deriva de todos os altares, do ocidente ao oriente, da artesania \u00e0 mata, e desta \u00e0 matem\u00e1tica. \u00c9 naquilo que respira, dorme, hiberna &#8211; para depois projetar-se na mat\u00e9ria &#8211; que existe a obra de Maria Laet.<\/p>\n<p>Entre, deite e deixe-se acalentar, aproxime-se, ou\u00e7a, respire, murmure, durma com esse barulho &#8211; da mata, da tumba, da folha a ser folheada, da natureza a ser penetrada, do tempo a ser esquecido e relembrado, pois uma folha em branco jamais ser\u00e1 igual \u00e0 outra quando estiverem soltas ao vento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bernardo Jos\u00e9 de Souza<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in PT. 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