{"id":337,"date":"2012-11-20T12:04:32","date_gmt":"2012-11-20T12:04:32","guid":{"rendered":"http:\/\/marialaet.com\/?p=337"},"modified":"2016-12-20T16:46:55","modified_gmt":"2016-12-20T16:46:55","slug":"fred_coelho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/marialaet.com\/en\/textos\/fred_coelho\/","title":{"rendered":"O que vive \u00e9 espesso"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"http:\/\/marialaet.com\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"PT\">PT<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em &#8220;O que vive \u00e9 espesso&#8221; (t\u00edtulo retirado do poema <em>O c\u00e3o sem plumas,<\/em> de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto), Maria Laet apresenta uma nova safra de trabalhos criados \u00e0 partir dos desdobramentos de suas pesquisas e reflex\u00f5es anteriores. A mem\u00f3ria das coisas, a no\u00e7\u00e3o dilatada de tempo e espa\u00e7o, as vizinhan\u00e7as sens\u00edveis do nossos corpos com os fluxos do mundo natural e o afeto pelo ef\u00eamero s\u00e3o todos dados que Maria vem trabalhando e que ativam nossas sensibilidades ao nos depararmos com sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste momento de sua trajet\u00f3ria, Maria prop\u00f5e novas formas de se colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o desses fluxos do mundo. No poema de Jo\u00e3o Cabral, \u00e9 a imagem do C\u00e3o Vivo e sem plumas que ativa a met\u00e1fora do rio Capibaribe dentro da mem\u00f3ria do poeta. Ali, na tessitura do poema, o que vive \u201cincomoda de vida o sil\u00eancio, o sono e o corpo\u201d. Eis porque o que vive \u00e9 espesso. Ao ler isso, Maria se apropria com os olhos livres das estrofes cabralinas e escava em sua obra essa ideia ao mesmo tempo difusa e precisa da <em>espessura<\/em>. \u00c9 espesso aquilo que ocupa de forma silenciosa por\u00e9m densa o espa\u00e7o entre n\u00f3s e o mundo, entre n\u00f3s e o outro, entre n\u00f3s e as coisas, entre n\u00f3s e a arte. Esse princ\u00edpio est\u00e1 disseminado em cada obra, se fazendo presente na espessura denunciada no seu peso em pedra, na espessura minima de duas m\u00e3os entrela\u00e7adas pela sobreposi\u00e7\u00e3o da monotipia, na espessura turva da rela\u00e7ao tensa e sempre incompleta entre as palavras e as imagens.<\/p>\n<p>Apesar das novas materialidades e suportes explorados nesta exposi\u00e7\u00e3o (pedras, cadernos, video, slides), Maria mant\u00e9m sua capacidade pouco comum dentre artistas da atualidade ao escorregar do aspecto espetaculoso e da necessidade de dialogar com grandes escalas de objetos e materiais. Seus trabalhos d\u00e3o mais um passo al\u00e9m na sua rela\u00e7\u00e3o po\u00e9tica com o mundo e com os elementos da natureza, articulando com ast\u00facia e inquieta\u00e7\u00e3o suas for\u00e7as e fragilidades em permanente movimento.<\/p>\n<p>No lugar da dispers\u00e3o da \u00e1gua sobre tecidos ou da aleatoriedade do vento que conduz o bal\u00e3o desenhista, refer\u00eancias presentes em alguns dos seus trabalhos anteriores, Maria agora encontra na solidez das pedras um espa\u00e7o fresco para pensar esteticamente a passagem do tempo e a quest\u00e3o da super\u00edficie. \u00c9 no contato engenhoso de seu corpo com a lenta mem\u00f3ria das pedras, \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o de certa ideia pict\u00f3rica com o aspecto ef\u00eamero do toque das m\u00e3os embebidas de tinta preta, \u00e9, enfim, na aposta da palavra como esse espa\u00e7o pleno e, ao mesmo tempo, ef\u00eamero, que vemos seu roteiro de ideias. Porque \u00e9 muito mais espessa a vida que se desdobra em mais vida. E \u00e9 isso que Maria Laet nos apresenta: uma vida desdobrada em mais vida, sua vida est\u00e9tica desdobrada na vida (in)animada do mundo, vida cujo dado espesso \u00e9 a passagem do tempo, a gastura da mat\u00e9ria, a circularidade das imagens, a instaura\u00e7\u00e3o, enfim, de uma transpar\u00eancia onde o que impera \u00e9 a opacidade de nossos olhares.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui nestas obras um convite para que deixemos l\u00e1 fora a sensa\u00e7\u00e3o de que temos o tempo e o corpo sob controle cartesiano e mergulhemos na transpar\u00eancia espessa dessa vida plena de espa\u00e7os vazados em dentro e fora. Fina camada de certeza que se rompe quando lembramos que a pedra, as m\u00e3os, os olhos, o corpo, o mundo, tudo pode ser visto atrav\u00e9s de outros pontos de vista. Maria nos apresenta sil\u00eancios lotados de eloqu\u00eancias imag\u00e9ticas. Espessuras costuradas e sugeridas de forma fr\u00e1gil e, talvez por isso mesmo, potente. Lembrar que estamos vivos para al\u00e9m do significado pr\u00e1tico das coisas. O C\u00e3o Vivo \u00e9 espesso. A pedra traz na sua superf\u00edcie lisa e sensual talvez um s\u00e9culo do tempo de tudo. A pedra \u00e9 espessa. A arte ainda procura seu n\u00e3o-lugar no mundo dos homens. O rio, a pedra, o c\u00e3o, as m\u00e3os, o vazio, o oco da linguagem, a persist\u00eancia da mem\u00f3ria, nada escapa do fio l\u00edrico da vida-olhar de Maria. Pois foi ali, no gesto mais simples, na imagem mais seca, na passagem irrevers\u00edvel das coisas atrav\u00e9s da hist\u00f3ria que ela achou vida. Justamente ali, onde tudo que vive, ao mesmo tempo que \u00e9 fugaz, \u00e9 espesso.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in PT. 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