{"id":476,"date":"2010-01-08T17:48:20","date_gmt":"2010-01-08T17:48:20","guid":{"rendered":"http:\/\/marialaet.com\/?p=476"},"modified":"2017-01-08T21:07:31","modified_gmt":"2017-01-08T21:07:31","slug":"imperativo-e-acidente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/marialaet.com\/en\/textos\/imperativo-e-acidente\/","title":{"rendered":"Imperativo e acidente"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"http:\/\/marialaet.com\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/476\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"PT\">PT<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>Conversa entre a artista Maria Laet e os cr\u00edticos Felipe Scovino e<\/p>\n<p>Paulo Sergio Duarte. Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 2010.<\/p>\n<p>Felipe Scovino e Paulo Sergio Duarte decidiram, no lugar de cada<\/p>\n<p>um redigir um texto, conversar sobre o trabalho de Maria Laet,<\/p>\n<p>com a participa\u00e7\u00e3o da artista. A conversa se deu depois de um<\/p>\n<p>jantar e derivou sobre v\u00e1rios assuntos relativos \u00e0 arte. Essa s\u00edntese<\/p>\n<p>da conversa, depois de editada, \u00e9 o que interessa. Enquanto<\/p>\n<p>Paulo Sergio se apegou \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o material do trabalho, \u00e0quilo<\/p>\n<p>que permite a sua recep\u00e7\u00e3o e o resultado final para quem se<\/p>\n<p>encontra no espa\u00e7o da exposi\u00e7\u00e3o, Felipe se ateve a sublinhar<\/p>\n<p>o processo no qual a obra se desenvolve e a detectar conceitos<\/p>\n<p>presentes que s\u00e3o ve\u00edculos importantes para sua melhor<\/p>\n<p>compreens\u00e3o. Nesse processo h\u00e1 sempre o imperativo e o<\/p>\n<p>acidente ou, recuando para termos conhecidos pelo Iluminismo,<\/p>\n<p>a necessidade e o acaso ou ainda, se quiserem, o determinado<\/p>\n<p>e o indeterminado pela vontade. O resultado pl\u00e1stico nas<\/p>\n<p>a\u00e7\u00f5es, nos desenhos, nas fotos, e seu processo, contrariam<\/p>\n<p>a tend\u00eancia \u00e0 busca das manifesta\u00e7\u00f5es espetaculares e sublinham<\/p>\n<p>uma dimens\u00e3o original da est\u00e9tica da delicadeza. Chega de<\/p>\n<p>introdu\u00e7\u00e3o. Achamos melhor voc\u00ea passar \u00e0 leitura dos trechos<\/p>\n<p>selecionados da conversa.<\/p>\n<p>Felipe Scovino, Maria Laet e Paulo Sergio Duarte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PAULO SERGIO DUARTE<\/p>\n<p>Hoje o desenho possui uma autonomia que lhe<\/p>\n<p>d\u00e1 o mesmo estatuto da pintura, gravura,<\/p>\n<p>instala\u00e7\u00e3o, performance, foto ou v\u00eddeo. O desenho<\/p>\n<p>tem uma vida pr\u00f3pria e independente, est\u00e1 longe<\/p>\n<p>do seu passado subordinado e dependente como<\/p>\n<p>prepara\u00e7\u00e3o a uma obra final, seja uma pintura,<\/p>\n<p>seja uma escultura. A subst\u00e2ncia da autonomia<\/p>\n<p>conquistada pelo desenho se encontra ali onde<\/p>\n<p>alguma coisa se tra\u00e7a e se materializa, n\u00e3o apenas<\/p>\n<p>na quest\u00e3o da linha \u2014 no sentido tradicional do<\/p>\n<p>desenho \u2014 nem tampouco no sentido que eu acho<\/p>\n<p>que os artistas contempor\u00e2neos t\u00eam adotado<\/p>\n<p>largamente, quando toda vez que pintam sobre<\/p>\n<p>o papel, chamam isso de desenho, e aquilo pode<\/p>\n<p>ser considerado pintura sobre papel. Contudo,<\/p>\n<p>no caso da Maria, h\u00e1 o sentido maior de desenhar,<\/p>\n<p>de tra\u00e7ar algum caminho, tra\u00e7ar alguma coisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se voc\u00eas concordam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FELIPE SCOVINO<\/p>\n<p>Penso que h\u00e1 o sintoma de um acidente no trabalho<\/p>\n<p>da Maria, e estou pensando at\u00e9 que ponto essa<\/p>\n<p>ocasi\u00e3o do acidente se coloca de maneira intuitiva<\/p>\n<p>ou fora do seu controle. Quando falo em acidente<\/p>\n<p>estou me referindo por exemplo ao trabalho do<\/p>\n<p>bal\u00e3o. Por mais que voc\u00ea preveja o caminho<\/p>\n<p>daquele bal\u00e3o sobre um pr\u00e9vio ou pretenso roteiro,<\/p>\n<p>aquilo foge totalmente ao seu controle e nesse<\/p>\n<p>sentido evoca-se uma situa\u00e7\u00e3o de acidente. Outra<\/p>\n<p>situa\u00e7\u00e3o que aparece como acidente \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>do que podemos chamar de monotipias, quando<\/p>\n<p>voc\u00ea coloca o papel sobre essas rachaduras, sobre<\/p>\n<p>essa mem\u00f3ria de uma cidade ou de um ch\u00e3o, e<\/p>\n<p>essa pr\u00e1tica n\u00e3o deixa de ser um acidente, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Tudo isso que foge ao seu controle, por mais que<\/p>\n<p>evoque um planejamento, resulta num acidente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MARIA LAET<\/p>\n<p>O acidente, o imprevis\u00edvel do desenho, acontece em<\/p>\n<p>alguns ou em v\u00e1rios trabalhos como consequ\u00eancia<\/p>\n<p>ou como rea\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o criada <strong>( <\/strong>escolhida <strong>)<\/strong>,<\/p>\n<p>na qual existe um di\u00e1logo, onde pelo menos um<\/p>\n<p>elemento n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel ou control\u00e1vel, est\u00e1 vivo<\/p>\n<p>no tempo da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P.S.D.<\/p>\n<p>Mas existem escolhas muito pr\u00e9-determinadas:<\/p>\n<p>o friso no pavimento preto, colocar o leite branco.<\/p>\n<p>Essas escolhas se estendem, por exemplo, em<\/p>\n<p>costurar a areia numa determinada dire\u00e7\u00e3o, e ter<\/p>\n<p>como resultado diversas fotografias, onde em<\/p>\n<p>algumas est\u00e1 tudo em foco, em outras est\u00e1 em<\/p>\n<p>foco o plano mais distante e em outras o primeiro<\/p>\n<p>plano. Nesse momento, ela tem que escolher entre<\/p>\n<p>essas dezenas de fotografias, quais s\u00e3o as que<\/p>\n<p>representam a a\u00e7\u00e3o dela. Penso que a a\u00e7\u00e3o de<\/p>\n<p>costurar areia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o acidental. \u00c9 evidente que<\/p>\n<p>existe acidente no caso do sopro, quando ela e outra<\/p>\n<p>pessoa convidada sopram a tinta sobre o papel.<\/p>\n<p>Aqui, existe o resultado do acidente, o desenho \u00e9<\/p>\n<p>um acidente. Mas nem sempre \u00e9 um acidente.<\/p>\n<p>Penso que existe a escolha de um determinado<\/p>\n<p>caminho, mas precisamos amadurecer mais<\/p>\n<p>essa conversa para pensar o que \u00e9 esse caminho<\/p>\n<p>que ela escolhe, porque h\u00e1 escolhas muito claras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>Eu penso que a linha atravessa o trabalho da Maria<\/p>\n<p>de uma forma aonde ela n\u00e3o se imp\u00f5e como um<\/p>\n<p>elemento que delimitar\u00e1 um espa\u00e7o, mas que se<\/p>\n<p>coloca exatamente como um personagem central<\/p>\n<p>no trabalho. Se pensarmos no trabalho do leite<\/p>\n<p>no pavimento que voc\u00ea acabou de citar, aquele<\/p>\n<p>vazio ou falta, que \u00e9 a rachadura, ser\u00e1 preenchido<\/p>\n<p>com leite, e se pensarmos como esse leite se<\/p>\n<p>apresenta \u2014 sua cor ou aus\u00eancia de cor representa<\/p>\n<p>exatamente a nulidade. \u00c9 uma nulidade que<\/p>\n<p>preenche uma falta, uma ambiguidade que se<\/p>\n<p>coloca na pr\u00f3pria perman\u00eancia \/ imperman\u00eancia<\/p>\n<p>que o trabalho da Maria apresenta. Nesse<\/p>\n<p>momento, evoco novamente as monotipias feitas<\/p>\n<p>por Maria: penso que o que se constitui como<\/p>\n<p>mat\u00e9ria nessa s\u00e9rie de trabalhos \u00e9 novamente<\/p>\n<p>o preenchimento de um espa\u00e7o com a presen\u00e7a<\/p>\n<p>de uma linha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M .L.<\/p>\n<p>Sim, o preenchimento de um espa\u00e7o com a<\/p>\n<p>presen\u00e7a de uma linha, ou a visualiza\u00e7\u00e3o de um<\/p>\n<p>espa\u00e7o pelo surgimento de uma linha, ou ainda<\/p>\n<p>a linha como materializa\u00e7\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o de um<\/p>\n<p>movimento, um di\u00e1logo, ou em \u00faltima inst\u00e2ncia,<\/p>\n<p>uma viv\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P .S.D.<\/p>\n<p>Acho interessante essa conversa pelo fato de<\/p>\n<p>como a aproxima\u00e7\u00e3o do Felipe segue na dire\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de um conceito, de uma id\u00e9ia atual de como as<\/p>\n<p>coisas se apresentam no mundo, e como o branco,<\/p>\n<p>por exemplo \u00e9 uma nulidade, mas na verdade<\/p>\n<p>ele se constitui como o contr\u00e1rio disso. O branco<\/p>\n<p>seria teoricamente a soma de todas as cores,<\/p>\n<p>enquanto o preto seria a nulidade; o preto seria<\/p>\n<p>a aus\u00eancia da cor, mas \u00e9 muito interessante<\/p>\n<p>essa forma de apresentar a quest\u00e3o porque \u00e9<\/p>\n<p>o contr\u00e1rio da tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Pensemos que<\/p>\n<p>existe uma cor branca sobre preto. Primeiramente<\/p>\n<p>como uma coisa dada, que est\u00e1 entregue no<\/p>\n<p>mundo, como um readymade, que \u00e9 a rachadura<\/p>\n<p>no ch\u00e3o, e voc\u00ea interv\u00eam sobre aquela rachadura,<\/p>\n<p>e de repente aquilo que n\u00e3o aparecia passa<\/p>\n<p>a aparecer no mundo. E essa forma de aparecer,<\/p>\n<p>n\u00e3o importa como, em todos os trabalhos que<\/p>\n<p>eu vi tem um dado comum: nunca aparece de<\/p>\n<p>forma espetacular. Sempre aparecem pelo prisma<\/p>\n<p>da delicadeza e n\u00e3o pelo prisma do espetacular,<\/p>\n<p>ou seja, entre o espet\u00e1culo e a delicadeza todos<\/p>\n<p>os seus trabalhos primam por escolher o caminho<\/p>\n<p>de estar no mundo no momento do aparecer,<\/p>\n<p>ou seja, eles apenas aparecem no mundo, e n\u00e3o<\/p>\n<p>querem ser flagrados al\u00e9m disso. Eles aparecem<\/p>\n<p>e ali cessam o momento do ser deles. Eles s\u00e3o<\/p>\n<p>enquanto aparecem, e n\u00e3o existem al\u00e9m disso,<\/p>\n<p>ao contr\u00e1rio de muitos trabalhos contempor\u00e2neos<\/p>\n<p>que, com ou sem legitimidade, dependendo<\/p>\n<p>da escolha e pot\u00eancia po\u00e9tica do artista, optam<\/p>\n<p>pelo caminho contr\u00e1rio, que \u00e9 o de acontecer pelo<\/p>\n<p>prisma espetacular, ou seja, aparecem com<\/p>\n<p>uma contund\u00eancia enorme e plena. Dessa maneira<\/p>\n<p>eu volto ao in\u00edcio, quando comentei que h\u00e1 uma<\/p>\n<p>persist\u00eancia da linha, mesmo quando aparece<\/p>\n<p>o sopro, porque ele se esparrama, h\u00e1 os gotejos<\/p>\n<p>e de repente surgem linhas poss\u00edveis de serem<\/p>\n<p>detectadas, como se o aparecer fosse desenhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M.L.<\/p>\n<p>Paulo, isso que voc\u00ea diz sobre o trabalho estar no<\/p>\n<p>mundo no momento do aparecer, faz muito sentido<\/p>\n<p>para mim. Me lembra um verso do Manoel de Barros<\/p>\n<p>que diz \u201ceu fiz o nada aparecer\u201d. E desse pensamento<\/p>\n<p>saem alguns caminhos poss\u00edveis, como o nada no<\/p>\n<p>sentido da dimens\u00e3o invis\u00edvel que \u00e9 o encontro de<\/p>\n<p>uma pessoa com o mundo e com o outro, e a<\/p>\n<p>materializa\u00e7\u00e3o desse encontro. O nada no sentido<\/p>\n<p>do espa\u00e7o que existe em muitos dos trabalhos, como<\/p>\n<p>o espa\u00e7o entre o corpo e o bal\u00e3o, entre a boca e<\/p>\n<p>a tinta, entre o pavimento e o leite, ou mesmo em<\/p>\n<p>discursos menos claros, como entre a areia e a linha<\/p>\n<p>ou entre a \u00e1gua e a gaze, que passam a aparecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>Eu complemento o que o Paulo est\u00e1 dizendo com<\/p>\n<p>duas palavras: suavidade e sil\u00eancio. S\u00e3o dois<\/p>\n<p>temas recorrentes, que reverberam e atravessam<\/p>\n<p>o trabalho da Maria. E, ao mesmo tempo penso<\/p>\n<p>que n\u00e3o deixa de ser espetacular o fato de voc\u00ea<\/p>\n<p>costurar um trecho de praia; contudo a qualidade<\/p>\n<p>com que voc\u00ea faz isso, evoca o que o Paulo<\/p>\n<p>acabou de dizer. O trabalho tem tudo pra se tornar<\/p>\n<p>espetacular, mas ao mesmo tempo ele se<\/p>\n<p>transforma numa atitude e discurso t\u00e3o \u00edntimo que<\/p>\n<p>uma suavidade e um sil\u00eancio s\u00e3o conclamados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P .S.D.<\/p>\n<p>Eu acho que suavidade e sil\u00eancio s\u00e3o atributos<\/p>\n<p>da delicadeza. Estardalha\u00e7o e ru\u00eddo s\u00e3o atributos<\/p>\n<p>do espet\u00e1culo. N\u00e3o tem nada de espet\u00e1culo em<\/p>\n<p>costurar aquelas linhas na areia. Nisso eu discordo<\/p>\n<p>do Felipe. \u00c9 imposs\u00edvel aquilo se transformar<\/p>\n<p>num gesto espetacular. Estamos no mundo dos<\/p>\n<p>Rolling Stones, n\u00e3o s\u00e3o quatro freiras an\u00f4nimas<\/p>\n<p>cantando dentro de um monast\u00e9rio na Idade<\/p>\n<p>M\u00e9dia, onde costurar uma areia poderia ser um<\/p>\n<p>espet\u00e1culo condizente com esse coro de quarto<\/p>\n<p>freiras num monast\u00e9rio cantando um canto<\/p>\n<p>monof\u00f4nico do s\u00e9culo XII, e dessa maneira<\/p>\n<p>entender\u00edamos o que \u00e9 a delicadeza, e o espet\u00e1culo<\/p>\n<p>dentro da delicadeza. No mundo de hoje aquilo<\/p>\n<p>n\u00e3o pode jamais atingir uma dimens\u00e3o espetacular.<\/p>\n<p>Costurar areia n\u00e3o ser\u00e1 espetacular, a n\u00e3o ser<\/p>\n<p>por fatores externos ao ato de costurar areia como<\/p>\n<p>chamar uma grande estrela \u2014 ou essa coisa rec\u00e9m<\/p>\n<p>inventada \u2014 uma \u201ccelebridade\u201d para participar<\/p>\n<p>da a\u00e7\u00e3o. Mas o ato de costurar areia por voc\u00ea,<\/p>\n<p>Maria, e da forma como voc\u00ea registra essa costura,<\/p>\n<p>penso que tem uma coer\u00eancia total com o resto<\/p>\n<p>do trabalho, que \u00e9 isso que o Felipe apontou<\/p>\n<p>com muita propriedade: ele vai al\u00e9m da delicadeza,<\/p>\n<p>e se conecta com a suavidade e o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>Eu quis dizer que o trabalho tinha tudo para ser<\/p>\n<p>espetacular, mas ao contr\u00e1rio disso, ele preservou<\/p>\n<p>sua autonomia como poesia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M .L.<\/p>\n<p>Existe sil\u00eancio enquanto se faz o trabalho, existe<\/p>\n<p>uma atmosfera que \u00e9 necess\u00e1ria, que eu n\u00e3o<\/p>\n<p>sei se posso chamar de ritual, mas h\u00e1 um sil\u00eancio<\/p>\n<p>necess\u00e1rio, que \u00e9 o contr\u00e1rio de uma a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>autom\u00e1tica. H\u00e1 um sil\u00eancio na hora de fazer, que<\/p>\n<p>eu n\u00e3o sei se \u00e9 outro diferente desse \u00e0 que voc\u00eas<\/p>\n<p>se referem, mas ele precisa existir e \u00e9 sentido,<\/p>\n<p>se configura em uma esp\u00e9cie de concentra\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>e de entrega ao ato. Por isso eu dizia que a a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>vem antes da linha ou do desenho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P .S.D.<\/p>\n<p>Entendi, \u00e9 que eu insisti no que as pessoas ver\u00e3o,<\/p>\n<p>o trabalho do artista. Eu sei que o trabalho do artista<\/p>\n<p>est\u00e1 muito longe de ser o que vemos como resultado<\/p>\n<p>final, mas a chamada obra de arte ainda existe,<\/p>\n<p>ainda n\u00e3o acabou. Ent\u00e3o o que vemos \u00e9 aquilo, s\u00e3o<\/p>\n<p>aqueles elementos que eu tentei sublinhar. Eu acho<\/p>\n<p>que persiste a\u00ed o que o Felipe colocou, a<\/p>\n<p>suavidade e o sil\u00eancio. Achei muito importante ele<\/p>\n<p>acrescentar esses atributos. E \u00e9 importante sublinhar<\/p>\n<p>isso, porque suavidade e sil\u00eancio s\u00e3o atributos<\/p>\n<p>substantivos, predicados e n\u00e3o adjetivos do<\/p>\n<p>seu trabalho. Outra situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o processo que<\/p>\n<p>\u00e9 t\u00e3o importante num trabalho como o seu, a forma<\/p>\n<p>de fazer a coisa, em outras \u00e9pocas se diria o<\/p>\n<p>\u2018modo de produ\u00e7\u00e3o\u2019, como voc\u00ea o realiza, e ao qual<\/p>\n<p>voc\u00ea atribui uma import\u00e2ncia. O que interessa para<\/p>\n<p>o trabalho de arte, na \u00e9poca em que entra em<\/p>\n<p>contato com o outro, n\u00e3o \u00e9 essa intimidade do<\/p>\n<p>ateli\u00ea, do seu modo de fazer, ele entra em contato<\/p>\n<p>pelo que est\u00e1 l\u00e1, diante dos olhos da pessoa, e<\/p>\n<p>no entanto h\u00e1 muito disso no que voc\u00ea fala. Ningu\u00e9m<\/p>\n<p>pode imaginar voc\u00ea fazendo carnaval no ateli\u00ea.<\/p>\n<p>Existem artistas que precisam de uma banda no<\/p>\n<p>ateli\u00ea pra realizar uma boa tela. Se n\u00e3o tem a banda,<\/p>\n<p>ele coloca um som muito alto, e eu n\u00e3o imagino<\/p>\n<p>voc\u00ea escutando uma banda punk, um funk ou<\/p>\n<p>qualquer coisa desse tipo para fazer aquele tipo de<\/p>\n<p>trabalho. O sil\u00eancio \u2014 que o Felipe comentou<\/p>\n<p>como atributo do trabalho \u2014 \u00e9 incorporado quando<\/p>\n<p>voc\u00ea diz que realmente faz todo sentido como<\/p>\n<p>parte indispens\u00e1vel do seu processo.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m a linha do percurso que voc\u00ea faz<\/p>\n<p>com bal\u00e3o, aqueles desenhos ef\u00eameros, que s\u00e3o<\/p>\n<p>linhas que est\u00e3o sendo tra\u00e7adas naquele momento.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero entender essa linha pela tradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>acad\u00eamica do desenho. Estou me referindo \u00e0 linha<\/p>\n<p>como um caminho que \u00e9 tra\u00e7ado. Sempre esse<\/p>\n<p>caminho que vai do nada ao lugar nenhum,<\/p>\n<p>no melhor sentido da palavra, da falta de destino.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 um sem destino, n\u00e3o no sentido<\/p>\n<p>beatnik, existencial, mas no sentido de algo que<\/p>\n<p>pode existir sem ter come\u00e7o nem fim, e que est\u00e1<\/p>\n<p>flagrado no momento da sua exist\u00eancia, ou seja,<\/p>\n<p>num interst\u00edcio, num meio. A linha n\u00e3o est\u00e1 nem no<\/p>\n<p>come\u00e7o nem no fim da sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>A linha tende a um esvaziamento ou quase<\/p>\n<p>desapari\u00e7\u00e3o porque ela foge da obviedade de ser<\/p>\n<p>linha, mas ambiguamente ela \u00e9 presente e<\/p>\n<p>complementa um vazio. Essa afirma\u00e7\u00e3o decorre<\/p>\n<p>do fato do trabalho da Maria recorrer a um<\/p>\n<p>repert\u00f3rio de uma quase invisibilidade da linha ao<\/p>\n<p>mesmo tempo em que ela, como eu disse, \u00e9 o<\/p>\n<p>personagem central daquela narrativa. Nas<\/p>\n<p>monotipias ou em Milk on pavement, a linha nunca<\/p>\n<p>\u00e9 ressaltada \u2014 graficamente \u2014 de uma forma<\/p>\n<p>majestosa; ela mant\u00e9m uma discri\u00e7\u00e3o ou sil\u00eancio,<\/p>\n<p>ao mesmo tempo em que n\u00e3o nega de forma<\/p>\n<p>alguma o seu v\u00ednculo primordial como estrutura<\/p>\n<p>de pensamento daquela obra. Ainda em Milk<\/p>\n<p>on pavement, a linha que atravessa esse trabalho<\/p>\n<p>possui uma for\u00e7a gr\u00e1fica mesmo sendo um dado<\/p>\n<p>do lugar da inven\u00e7\u00e3o, e portanto n\u00e3o pertencente<\/p>\n<p>ao mundo \u201creal\u201d. Ela instaura uma realidade<\/p>\n<p><strong>( <\/strong>tamb\u00e9m gr\u00e1fica <strong>) <\/strong>apesar de sabermos que aquele<\/p>\n<p>estado de exist\u00eancia transita por um territ\u00f3rio da<\/p>\n<p>fantasia aliado a esse transbordamento de delicadeza,<\/p>\n<p>que o Paulo anunciou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P.S.D.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o tem origem nem destino, ela existe por<\/p>\n<p>si s\u00f3. Isso \u00e9 muito corajoso: dar exist\u00eancia pl\u00e1stica<\/p>\n<p>a um ato desse tipo, de uma linha cuja origem<\/p>\n<p>e destino n\u00e3o interessam, mas que existe naquele<\/p>\n<p>percurso. A linha s\u00f3 existe ali, naquele ato, onde<\/p>\n<p>pouco interessa a origem e o destino. Poderia<\/p>\n<p>se dizer que voc\u00ea conseguiu nessas linhas produzir<\/p>\n<p>um ser sem origem e sem destino, que s\u00f3 existe ali.<\/p>\n<p>Mas o problema disso tudo \u00e9 a forma como ela<\/p>\n<p>aparece. Primeiro, existe uma aus\u00eancia completa de<\/p>\n<p>cor e isso \u00e9 muito importante sublinhar no seu<\/p>\n<p>trabalho. Voc\u00ea at\u00e9 agora abdicou da cor. S\u00f3 existe<\/p>\n<p>preto e branco, e todas as varia\u00e7\u00f5es de cinza, \u00e0s<\/p>\n<p>vezes, inevit\u00e1veis para quem s\u00f3 trabalha com preto<\/p>\n<p>e branco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>Retomando o que voc\u00ea est\u00e1 dizendo Paulo, eu acho<\/p>\n<p>que o trabalho da Maria tende ou pressup\u00f5e um<\/p>\n<p>esvaziamento, que n\u00e3o se conecta a uma nega\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>mas um esvaziamento que se associa \u2014 se \u00e9 que<\/p>\n<p>se pode dizer isso, por mais amb\u00edguo que essa frase<\/p>\n<p>possa parecer \u2014 com uma afirma\u00e7\u00e3o. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de um espa\u00e7o, de um exerc\u00edcio com o qual essa<\/p>\n<p>linha se conecta. Eu concordo inteiramente com o<\/p>\n<p>que voc\u00ea disse, mas o fato \u00e9 a quantidade de sentido<\/p>\n<p>que transborda nessa economia de linguagem, com<\/p>\n<p>a qual a Maria trabalha. A quantidade de sentidos<\/p>\n<p>que voc\u00ea transmite, transforma ou cria, aponta<\/p>\n<p>o seu trabalho na dire\u00e7\u00e3o do imposs\u00edvel e estimula<\/p>\n<p>vontades inesperadas \u2014 vem do mais simpl\u00f3rio,<\/p>\n<p>que \u00e9 uma aus\u00eancia de cor, e o papel ou tecido como<\/p>\n<p>suporte, e constr\u00f3i sobre essa superf\u00edcie nada mais<\/p>\n<p>do que uma linha, nada mais que um tra\u00e7o. E a<\/p>\n<p>ambiguidade que eu estou dizendo n\u00e3o se constitui<\/p>\n<p>somente como linha, mas ela transborda em uma<\/p>\n<p>s\u00e9rie de pot\u00eancias e significados, e da\u00ed vem o que<\/p>\n<p>eu estou dizendo: voc\u00ea transforma essa nulidade ou<\/p>\n<p>poss\u00edvel aus\u00eancia, em um primeiro olhar ainda leigo<\/p>\n<p>sobre o seu trabalho, na constitui\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o,<\/p>\n<p>e em um n\u00famero significativo de leituras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P.S.D.<\/p>\n<p>Estava pensando agora \u2014 tem muita coisa nessa<\/p>\n<p>fala do Felipe \u2014 mas eu gostaria de retomar aqui<\/p>\n<p>as monotipias das rachaduras na parede, e a forma<\/p>\n<p>como elas aparecer\u00e3o, para quem n\u00e3o assistiu<\/p>\n<p>a a\u00e7\u00e3o da captura. As pessoas ver\u00e3o sempre, em<\/p>\n<p>primeiro lugar, essa captura do desprez\u00edvel, daquilo<\/p>\n<p>que ningu\u00e9m presta aten\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m anda<\/p>\n<p>olhando rachaduras na parede e transformando<\/p>\n<p>isso em acontecimento pl\u00e1stico. Segundo, a forma<\/p>\n<p>como voc\u00ea faz aquilo \u00e9 a mais delicada e t\u00eanue<\/p>\n<p>poss\u00edvel, ou seja, exigir\u00e1 certo esfor\u00e7o de um olhar,<\/p>\n<p>certa intelig\u00eancia de olhar, para perceber que est\u00e3o<\/p>\n<p>diante de rachaduras de parede e de ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade o que ser\u00e1 visto s\u00e3o linhas, manchas,<\/p>\n<p>tra\u00e7ados como desenhos. A forma como elas s\u00e3o<\/p>\n<p>alinhadas, n\u00e3o obedecendo ao paradigma tradicional<\/p>\n<p>da paisagem, da horizontal absoluta, mas o<\/p>\n<p>fato de abrigarem certa m\u00fasica, no sentido de como<\/p>\n<p>um tom vem mais baixo, outro vem mais alto, de<\/p>\n<p>passagens. Tudo isso afeta profundamente o<\/p>\n<p>resultado para quem v\u00ea aquilo. \u00c9 evidente que n\u00e3o<\/p>\n<p>pode ser aproximado de qualquer uma das<\/p>\n<p>monotipias do Vergara, como j\u00e1 foi citado aqui.<\/p>\n<p>No seu trabalho, Maria, o que est\u00e1 sendo coletado<\/p>\n<p>n\u00e3o tem significado, n\u00e3o \u00e9 uma figura, n\u00e3o tem um<\/p>\n<p>sentido a priori, n\u00e3o \u00e9 uma boca de forno nem uma<\/p>\n<p>parede das Miss\u00f5es <strong>( <\/strong>como nas monotipias<\/p>\n<p>de Carlos Vergara <strong>)<\/strong>, o que est\u00e1 sendo coletado no<\/p>\n<p>seu trabalho \u00e9 o an\u00f4nimo, \u00e9 a figura sem sentido<\/p>\n<p>nenhum a priori, e que voc\u00ea decide produzir<\/p>\n<p>sentido a partir dela. Elas ser\u00e3o como segmento<\/p>\n<p>de uma partitura. Assim elas foram feitas, e assim<\/p>\n<p>voc\u00ea ir\u00e1 apresent\u00e1-las. Ent\u00e3o eu acho que<\/p>\n<p>essa escolha de atribuir sentido em algo que<\/p>\n<p>\u00e9 absolutamente desprez\u00edvel ao olho leigo e<\/p>\n<p>embrutecido que \u00e9 o da nossa \u00e9poca, e a decis\u00e3o<\/p>\n<p>de voc\u00ea coletar e dar sentido po\u00e9tico a isso<\/p>\n<p>\u00e9 um gesto revelador. A captura da rachadura n\u00e3o<\/p>\n<p>\u00e9 igual \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do leite na rachadura, existe<\/p>\n<p>um ato ali de decis\u00e3o extrema, uma oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>crom\u00e1tica evidente. Existe uma tradi\u00e7\u00e3o do preto<\/p>\n<p>no branco muito forte na nossa cultura, a partir das<\/p>\n<p>investiga\u00e7\u00f5es concretas e neoconcretas, e ali voc\u00ea<\/p>\n<p>faz no informe de um achado, um readymade,<\/p>\n<p>que n\u00e3o \u00e9 uma lata de sopa, mas sim uma rachadura<\/p>\n<p>no pavimento, transformando aquilo em um gesto<\/p>\n<p>pl\u00e1stico contundente. S\u00e3o momentos diferentes<\/p>\n<p>num mesmo processo de trabalho, que por<\/p>\n<p>sua vez exibem uma coer\u00eancia extrema, com todas<\/p>\n<p>essas diferen\u00e7as entre eles. Isso \u00e9 impressionante<\/p>\n<p>para mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>\u00c9 um registro que coloca para a posteridade algo<\/p>\n<p>que \u00e9 descart\u00e1vel ou desprez\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P.S.D.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o \u00e9 nem para posteridade, \u00e9 para n\u00f3s<\/p>\n<p>mesmos, para mim e para voc\u00ea. Eu nunca tinha<\/p>\n<p>visto uma rachadura daquela maneira, eu conhe\u00e7o<\/p>\n<p>muita rachadura fotografada, existem v\u00e1rios artistas<\/p>\n<p>que fotografam rachaduras de parede e transformam<\/p>\n<p>em um acontecimento pl\u00e1stico contundente,<\/p>\n<p>com cores, em cibachromes, em fotos enormes de<\/p>\n<p>rachadura de parede ou de ch\u00e3o. Isto \u00e9 inteiramente<\/p>\n<p>diferente do procedimento da Maria. Esse<\/p>\n<p>procedimento da segmenta\u00e7\u00e3o, de possibilitar o<\/p>\n<p>papel descer ou subir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rachadura. O<\/p>\n<p>acontecimento tamb\u00e9m existe regido por um<\/p>\n<p>determinado formato do papel onde ela come\u00e7ou a<\/p>\n<p>inscrever a rachadura. \u00c9 muito interessante, porque<\/p>\n<p>isso determina uma linha.<\/p>\n<p>A linha que n\u00f3s estamos pensando n\u00e3o \u00e9 uma<\/p>\n<p>linha no sentido geom\u00e9trico da palavra. \u00c9 a linha<\/p>\n<p>no sentido daquele que realmente desenha e<\/p>\n<p>tra\u00e7a uma linha no papel, e que n\u00e3o tem nada a<\/p>\n<p>ver com geometria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F.S.<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 justamente o contr\u00e1rio disso. Voc\u00ea<\/p>\n<p>n\u00e3o segue um programa pr\u00e9-determinado, porque<\/p>\n<p>traz o acaso como m\u00e9todo para o seu trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M.L.<\/p>\n<p>\u00c9 a geometria, o limite do papel \u00e9 que se submete<\/p>\n<p>a continuidade da linha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P .S.D.<\/p>\n<p>Tampouco \u00e9 a linha do desenho que resistiu at\u00e9<\/p>\n<p>o s\u00e9culo XIX. At\u00e9 o famoso mestre Guignard,<\/p>\n<p>no s\u00e9culo passado, que, como contam seus alunos,<\/p>\n<p>para desenhar tinha que se utilizar de l\u00e1pis duro<\/p>\n<p>para marcar o papel, e n\u00e3o poder apagar a linha<\/p>\n<p>que tra\u00e7ou no exerc\u00edcio do desenho. Estou falando<\/p>\n<p>aqui do aparecimento da linha. Voc\u00ea flagra no seu<\/p>\n<p>trabalho como a linha aparece no mundo, seja<\/p>\n<p>atrav\u00e9s de procedimentos intencionais, como o de<\/p>\n<p>costurar a areia, seja atrav\u00e9s de achados, mas que<\/p>\n<p>acabam numa constru\u00e7\u00e3o da linha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M.L.<\/p>\n<p>Assim como o leite no pavimento <strong>(<\/strong>e todos os outros<\/p>\n<p>trabalhos <strong>)<\/strong>, as monotipias de rachadura s\u00e3o uma<\/p>\n<p>forma de contato extremo, na qual o papel<\/p>\n<p>\u00e9 vulner\u00e1vel a aspereza da rachadura, ao ponto de<\/p>\n<p>eventualmente rasgar o papel em pontos seguidos.<\/p>\n<p>S\u00e3o formas de contato <strong>( <\/strong>de encontro e de separa\u00e7\u00e3o <strong>)<\/strong><\/p>\n<p>que formam todos os desenhos. E, nas monotipias,<\/p>\n<p>o desencontro das folhas de papel \u00e9 que permite que<\/p>\n<p>as linhas continuem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P .S.D.<\/p>\n<p>De qualquer modo, tanto no seu m\u00e9todo como<\/p>\n<p>nas suas configura\u00e7\u00f5es finais, seu trabalho se<\/p>\n<p>desenvolve sempre no plano da delicadeza e numa<\/p>\n<p>evidente recusa do espetacular, muito mais f\u00e1cil<\/p>\n<p>de ser perseguido no mundo de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in PT. 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